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CD Quieto um Pouco | Marina Machado
Apresentação: Chico Amaral
Data: 2013-08-02

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Vejo as fotos do encarte deste disco –plantas, objetos, tábuas, mulher na poltrona com gato e novelos, mãe com filho na piscininha de quintal. É pouco, é a vida, é tudo. Sinto que Marina equilibra, como poucas cantoras, despojamento e profundidade. Às vezes canções alegres doem, sua leve luz se inclina como outono. Em outros momentos, uma canção que fala de tristeza –como a música de Johnny Alf- pode, com todo seu charme, fazer sorrir a alma.

Acho que Marina faz arte. Pensa, sofre (quem a conhece, sabe o quanto ela sofre pra escolher, pra dar o próximo passo, pra ser fiel a suas crenças a cada momento), constrói a sua originalidade. E acaba contando, a cada disco uma história completa. Este aqui fala, pra começar, de música. Eu gosto de observar como ela está sempre a querer música, falando dos cantores, buscando a técnica, as notas, sempre com um coração admirador.

Mas sabemos que a vida é amiga da arte. E por isso ela escolhe (com sensível ajuda do produtor Dênio Albertini) canções que vão de algum modo nos tocar, pela delicada verdade que acaba flutuando em suas interpretações. A verdade aqui não vem apenas da letra, mas também da música. Marina compreende muito bem os dois aspectos. Todas as canções do disco são belas e essenciais, pois o canto de Marina Machado é belo e essencial.

Faixa a faixa

  1. Vai Chover – Balada envolvente de Ney Lisboa. Um ukelele parece confirmar: de fato, estamos realmente naquela estrada, vendo a chuva, o moinho, a poesia simples das coisas na voz despojada de Marina Machado.
  2. O Melhor Vai Começar – Segue o encanto nesta canção de Guilherme Arantes. “Hoje sou mais romântico que a lua cheia”, diz um verso. Equilíbrio entre  canto, instrumentos e programação eletrônica, permitindo a necessária transparência musical, que soa, no fim das contas, como transparência da alma.
  3. Cara Bonita – Versão balançada da canção de Carlos Lyra. A música passa pelos ouvidos como brisa de verão.
  4. É Tarde – Marina empresta uma cor mais escura à música de Samuel Rosa. Aprovo a sobriedade de sua versão para as minhas frases, que falam do outono de uma relação.
  5. Quieto um Pouco – Outra canção que nos conforta por uma tarde inteira. Está tudo tranquilo, é por isso que eu choro. Marina canta com bela melancolia a composição de Maurício Pereira e Dino Vicente.
  6. Que Volte a Tristeza -  A cantora transmite sem esforço toda a sofisticação da linha melódica de Johnny Alf.  
  7. Que Pena – O clássico de Jorge Ben Jor em apresentação leve e divertida, mesclada a samplers de Norma Benguel e Oscarito no filme O Homem do Sputinik. Marina mostra aqui sua irresistível verve teatral, fruto de muitas experiências neste campo.
  8. Embora o Mundo nos Separe – Uma canção sobre a amizade que escrevi  para outro parceiro, Affonsinho, cantado com a profundidade sempre sincera de Marina Machado. Depois de andar o mundo todo, Marina canta a quietude (que nunca afasta totalmente sua inquietude inerente!) com imensa musicalidade. Como é bom ouvir!

Chico Amaral




 






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