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Leo Gandelman
Apresentação: Chico Amaral
Data: 2013-08-02

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Leo é um irmão. Um cara elegante, uma alma nobre. Sempre tocou bem. Acho que todo mundo gosta dele, mesmo seus inimigos, se os tivesse. É mais fácil o morro da Urca ter inimigos, do que o Leo. Tenor, alto, soprano e barítono. Em qualquer um desses, o homem dá um show, estende um tapete no abismo e convida nossas almas. Sem falar nas flautas, nas composições de endereço cristalino, nos arranjos impecáveis.

Nos anos 80, Leo Gandelman trouxe um novo padrão para a música instrumental brasileira. Tornou-se, por isso, o preferido do público. E dos artistas. Era fácil ouvir seu saxofone no rádio, com os grandes sucessos do momento, Lulu, Kid Abelha, Gil. Todo naipe de sopros nos discos contava com ele, ao lado de Márcio Montarroyos, Bidinho e outros. Eu lia as fichas técnicas e talvez sonhasse um dia estar ali.

Tudo isso vai passando, como a caravana. Diante dos olhos de areia do tempo. Mas o Leo taí. Sempre procurando novas parcerias, sempre tocando de verdade. Nunca tive preconceito contra o pop (imagina, eu!), mas no dia em que escutei sua gravação de “Folha Morta”, senti que o Leo tinha um caminho maravilhoso ali. O que nos foi confirmado por suas constantes visitas à MPB, nos discos posteriores, até esse lindo “Sabe Você”, de agora.

E nós sabemos que Leo Gandelman toca música brasileira como ninguém: com classe, na temperatura perfeita, com bom gosto e balanço. Tenho essa afinidade com ele, a de ter a canção sempre por perto, mesmo fazendo música instrumental.

Vale a pena ouvir o que o Leo tem feito. Seu disco “Radamés e o Sax” é precioso.  Seu trabalho anterior, o “Lounjazz”, é super-bacana. Este último “Sabe Você”, que eu não tenho ainda e só ouvi pela internet, é um luxo, coisa que o Milton Nascimento, um dos convidados do disco, já havia me dito.

Tive o prazer e a honra de me encontrar com ele algumas vezes, numa delas  fazendo a abertura de um show seu com um trio americano (o baterista era o Bernard Purdie, meu velho ídolo dos discos do King Curtis!). Foi em Belo Horizonte, dois mil e tal, Palácio das Artes.Que barato aquela noite!

Grande abraço, Leo. O sopro está lindo, como sempre. Continue nos contando suas belas estórias, estamos te ouvindo.

Chico Amaral




 






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